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Tecnologia e Pop Culture

Entrevista revista Webdesign

capaRecentemente, estive em contato com o Luiz Rocha, editor da revista Webdesign, que pediu para que eu desse uma força para uma matéria especial sobre Adobe Flash.

Gostei muito de poder ajudar e contribuir, e o mais legal é o reconhecimento de uma carreira que trato com a maior seriedade, a de WebDesigner. A matéria saiu em agosto de 2009, e aqui, reproduzo a entrevista na íntegra:


1 – Das primeiras versões voltadas para a produção de animações vetoriais ao pacote atual com recursos poderosos para criação de aplicações e sites interativos, quais foram as principais transformações no Flash quando falamos da criação e do desenvolvimento de projetos web?

Trabalho com criação de sites desde 1997, e tive meu primeiro contato com o Flash 3. Lembro que fiquei surpeendido com a qualidade das animações, mas considero, a verdadeira revolução a introdução da linguagem Actionscript 2.0 na versão MX. A partir de um conceito mais “orientado a objetos” é que realmente a tecnologia se consolidou no mercado e que ocorreram mudanças na concepção de projetos com tecnologia Flash. Após a aquisição da Adobe, tivemos uma maior integração com outros produtos, como Ilustrator, o que facilita na concepção e construção de layouts, e agora na versão CS4, a tecnologia de vídeos e 3D, além da cinemática, estão em evidência.

2 – Dentre as tecnologias e plataformas disponíveis para o trabalho com internet rica, como AJAX, Curl, Silverlight etc., quais são as vantagens que o Flash apresenta em relação às opções disponíveis pelo mercado?

Estou desennvolvendo um sistema com AJAX (Jboss Rich Faces) e tenho tido um desempenho muito bom na apresentação das informações, e com os novos browsers (Chrome e FF 3.5) o javascript irá ganhar força. JQuery também já se tornou requisito obrigatório para construção de interfaces. Mas mesmo assim, para determinados projetos, a tecnologia Flash é mais completa, com um ótimo acabamento de seus componentes. Quando você trabalha para proporcionar imersão, e a melhor experiência possível para seu cliente, você deve se apoiar em recursos avançados tais como reprodução de vídeo, é necessário a utilização de ferramentas consolidadas e presentes em todos os browsers. Imagine você desenvolver sistemas como os disponíveis em www.chevrolet.com, onde o carro é construído na tela do computador, com javascript? Quanto a Curl, sinceramente desconheço e sobre o Silverlight, vejo um grande marketing da Microsoft e me parece que a tecnologia de reprodução de vídeos é muito boa.

3 – Na palestra “A Vocação do Flash: Ria, Hotsites e Infográficos” (http://usabilidoido.com.br/a_vocacao_do_flash_ria_hotsites_e_infograficos.html), o pesquisador em design de interação Frederick van Amstel argumentava sobre as funções no uso do Flash e ressaltava que ele serve principalmente “para trazer maior usabilidade para aplicações, mais emoção para a publicidade e ensinar conceitos complexos através da hipermídia. Isso é o que ele faz de melhor e sem concorrência. Usá-lo para substituir HTML e criar introduções animadas é desperdício e equívoco”. Levando-se em consideração a sua experiência nesta área, é possível traçar um perfil ideal de projeto para se trabalhar com Flash?

Os infográficos são um exemplo de uso da tecnologia. Animações desse tipo são comuns em portais de notícias, onde se faz necessário um entendimento visual da informação. Antes, só viamos recursos como esses na televisão. Não é de hoje que o jornalismo na TV utiliza de infográficos e animações para fornecer um cenário mais agradável e simples para quem está consumindo o conteúdo.

Isso é quase uma experiência, uma imersão do usuário, e na Internet, é um recurso cada vez mais necessário. E é nesse cenário, que o Flash se encaixa. Veja bem, os site de hoje são diferentes de 10 anos atrás. Me lembro, que foi uma animação de um site de um evento que me motivou a investir e estudar a tecnologia. Animações tem o poder de atrair e cativar a audiência. Isso pode ser o fator de sucesso de um projeto. É claro que em projetos de sites institucionais, corporativos, talvez um design atraente e uma boa arquitetura de informação resolvam e sejam mais adequadas, mas mesmo assim, em determinadas áreas, uma boa animação transmite vida para o conteúdo, e isso pode auxiliar na absorção da mesmo, como o caso do infográfico.

Traçar um perfil de projeto ideal para se trabalhar com Flash não é uma tarefa fácil, requer experiência e disciplina no desenvolvimento de soluções. A primeira coisa que se deve fazer é o briefing do projeto, por menor que ele seja. Você não precisa criar uma documentação imensa para isso, pode ser um briefing mental mesmo. É vital que o desenvolvedor tenha uma visão clara dos objetivos do projeto, qual a mensagem a ser transmitida, quem é o público alvo e qual seu perfil. Quais as tecnologias a serem aplicadas, quais os resultados esperados na interação do cliente com o produto, etc. Esses eu considero os mais importantes.

Além disso, sempre estou acompanhando  e realizo uma análise do site ou aplicativo, quase que diária, dependendo do site, através de ferramentas de métricas web, tais como Google Analitycs, onde é possível o acompanhamento da perfomance do site em vários níveis, como os de conversão. Com isso, é possivel saber se o seu projeto possui algum problema de arquitetura de informação…se o cliente está acessando a informação principal, qual a resolução de tela que o cliente usa, e até mesmo qual a versão do plugin do Flash é mais utilizada.

Como possuo formação em Marketing, também procuro implementar vários conceitos de “branding experience” nos projetos em que realizo. Em 2007, fiz um curso complementar em marketing digital, que me abriu a visão para vários aspectos em um site, que poderiam ser melhor trabalhados.A preocupação com  a distribuição da mensagem a ser transmitida pelo site, hotsite ou publicidade online deve comtemplar a tecnologia a ser aplicada. A mídia usada pode determinar o sucesso de uma ação.

Muita gente critica o Flash principalmente por ser “pesado” para se abrir os sites… pode ser verdade, em alguns casos. O loading pode espantar muitos clientes, mas isso pode ser contornado com uma metodologia de desenvolvimento muito comum em sites Flash. O que ocorre é que vejo muita gente usando “pirotécnia” para chamar a atenção onde não precisa, como também vejo numa proporção maior, muitos sites em Flash que cativam por tais recursos, desde que bem aplicados. Outra reclamação comum é porque dizem que os sites Flash não são indexados pelos buscadores. Minha experiência me diz que isso é mito.

Exitem várias formas de você aparecer me primeiro lugar no Google. Claro que o xhtml é melhor indexado, mas ele não é a unica forma de se alcançar este objetivo. Tenho sites publicados, 100% Flash, numa posição acima de grande portais de conteúdo em termos relevantes para o nosso produto.

4 – Analisando a estrutura de algumas agências digitais brasileiras, como a Grafikonstruct (www.grafikonstruct.com.br), por exemplo, vemos a abertura de oportunidades para flash animators, flash designers, flash developers etc. Você acredita que a especialização de profissionais é um caminho nesta área? E quais seriam as principais diferenças entre esses cargos?

Sim, em agências essa divisão de cargos já é comum. Isso é devido a abrangência da tecnologia.  Hoje um front-end enginner deve dominar design e interação, podendo usar o Flash como ferramenta de criação. O arquiteto de informação, também pode utlizar o Flash para criação de protótipos funcionais, basta saber 2 ou 3 comandos Actionscript para isso. O animador, constrói seus desenhos animados, com a mesma ferramenta, mas com outra metodologia, talvez frame a frame. O developer, por sua vez, necessita ter o conhecimento pleno de ActionScript, pois ele irá tratar o conteúdo e o consumo do mesmo, muitas vezes através de webservices, linguagens de back-end como PHP, Java, ASP ou algum CMS free ou proprietário.

As possibilidades são inúmeras e vejo isso como uma evolução da tecnologia e de sua aplicação nos diversos cenários onde o Flash pode ser a melhor solução. Hoje o Flash é considerado um dos melhores meios para se transmitir vídeo e vejo um futuro muito promissor também com aplicações de Realidade Aumentada, que na minha opinião, são o futuro. A adobe já trabalha com a distribuição de seu player para dispositivos móveis e tv digital, então, o mercado só tende a crescer.

Considero a agência citada como uma das melhores do Brasil na produção de trabalhos para o segmento de moda, que, como no meu caso, os projetos necessitam de tecnologias que produzam verdadeiras experiências e atmosfera aos sites, mas devo lembrar que, recentemente, a tecnologia Flex está cada vez mais requisitada nos projetos de aplicativos corporativos de grandes players do mercado, a própria Datasul já disponibilizam cursos para seu pessoal e possuem ferramentas com a tecnologia como front-end, ou seja, o mercado está crescendo muito para profissionais que dominam principalmente a linguagem ActionScript.

5 – Quando falamos da criação e do desenvolvimento de sites em Flash, quais são os erros mais comuns que podem prejudicar a usabilidade de um projeto? Como você procura trabalhar esta questão em seus projetos?

A “pirotécnia” com certeza é um piores erros que um projeto Flash pode apresentar. A aplicação de efeitos sem sentido no site me deixa extremamente triste e é o que abre a discussão da utilização ou não da tecnologia. Um outro fator que alguns profissionais, talvez pela falta de experiência, ainda façam são as famosas páginas de introdução. Isso não é mais utilizado, mas algumas pessoas ainda insistem em fazê-las, as vezes por causa de pedidos de clientes, mas não se justifica…a informação é primordial e você não deve criar obstáculos para que seja consumida. Se tiver que criar alguma animação para inserir em projetos web, elas devem ser bem introduzidas, onde façam sentido, e com recursos de controle da mesma, como botões de play, pause, etc.

Nos projetos em que trabalho, sempre priorizo a informação. Procuro deixa-la o mais limpa  possível e as vezes nem parece que o site é em Flash. No nosso caso, como o produto é importante, sempre tento facilitar a visualização do mesmo, através de um bom recurso de navegação de imagens, o qual sempre estou evoluindo, e colocando informações sobre o mesmo, mesmo que seja um simples sistema de numeração para identificar o produto. Essas melhorias são sempre implementadas baseadas em web analitycs e pelo feedback que temos de nossos clientes através de envio de mensagens pela área de contato. Recebemos muitas sugestões, críticas e elogios por este canal, que nos auxilia no desenvolvimento e aprimoramento de nossas soluções.

6 – O site da escritora J.K.Rowling (www.jkrowling.com), criadora do sucesso mundial “Harry Potter”, surge como um bom exemplo de site em Flash com acessibilidade. O lançamento recente de bibliotecas Javascript, como o SWFObject (http://code.google.com/p/swfobject/) e o SWFAddress (http://www.asual.com/swfaddress/), ajudou a melhorar os aspectos de acessibilidade de projetos concebidos em Flash. Diante disso, quais são os parâmetros recomendados para se incluir os preceitos de acessibilidade na produção de sites em Flash? O que você costuma aplicar em seus trabalhos?

Uma das premissas da acessibilidade é que o conteúdo deve ser absorvido e intepretado por qualquer mecanismo de leitura, na internet, o mecanismo mais utilizado é o browser, mas acessiblidade não é só isso. Um site com acessiblidade em Flash é considerado por muitos como um grande desafio quando não impossível. É correto pensar assim, pois até um certo tempo atrás, a ferramenta não possuia mecanismos com essa preocupação.

Hoje é possível através de uma opção do Flash e guidelines estabelecidas pela Adobe, um mínimo de acessibilidade através da nomeação dos objetos e componentes. No caso de componentes, é uma tarefa razoavelmente fácil, mas em sites complexos torna-se realmente um desafio o emprego destas técnicas. As bibliotecas acima mencionadas realmente são um plus indispensável ao desenvolvedor Flash. O SWFObject é capaz de resolver alguns problemas que antes só eram resolvidos com força bruta, e sem um padrão. Com ela é possível disponiblizar conteúdo não-flash para navegadores ou dispositivos sem o famoso plugin ou suporte a javascript.

Nos nosso projetos, o conteúdo é totalmente separado do design, mas ainda não damos o suporte 100% a outra interface diferente do Flash, mas já existe uma iniciativa para total remodelagem do conceito de desenvolvimento dos nosso sites. Um framework (Gaia Framework) que está ganhando espaço na comunidade, vem sendo analisado para que seja melhorada a nossa metodologia de desenvolvimento bem como a acessiblidade dos nossos sites, com a utilização do design pattern MVC.

A utilização do SWFAddress já foi analisada e homologada por nossa equipe e nas próximas versões de nossos projetos o mesmo já será implantado. Com essa biblioteca iremos melhorar ainda mais o nosso posicionamento em buscadores, pois nosso sitemap poderá conter links diretos para as áreas de nossos sites.

7 – Falando ainda sobre estas bibliotecas, podemos dizer que elas contribuíram ainda para aperfeiçoar os métodos de otimização de sites em Flash para os mecanismos de busca. De que maneira você procura inserir os conceitos de SEO na produção de sites em Flash?

A manutenção é constante nos sites, pois o algoritimo dos mecanismos de busca nunca para de mudar, evoluir. Procuro sempre inserir meta tags bem feitas e seguir alguns manuais que os próprios buscadores disponibilizam. Além disso algumas dicas como links de popularidade e uma boa divulgação online, através de blogs, redes sociais e sites satélites, contribuem para qualquer estratégia de SEO.

Em nosso arquivos Flash, procuro sempre usar textos puros, e uma arquitetura onde seja possível aos buscadores “lerem” este conteúdo em swf. O Google é capaz disto. Você pode colocar seus arquivos swfs em arquivos sitemap, que os mesmos serão indexados, mesmo que os mesmos não possuam marcação html. Títulos relevantes e legíveis são excelentes para que o buscador consiga “saber” do que o arquivo se trata. É um recurso novo do buscador, mas o qual eu utilizo.

As dicas de acessiblidade também se encaixam nesta questão. Quanto mais meta-informação seu site conter, melhor.

8 – Na edição de julho de 2007, quando apresentamos um estudo de caso sobre o site “Pocket Films for Travelers (www.pocketfilmsfortravelers.com), Zeh Fernando (www.zeh.com.br) revelou que o Google Analytics era uma das melhores opções para análise de navegação em sites em Flash (http://code.google.com/p/gaforflash/). Como você acostuma mensurar os dados de navegação em projetos que envolvam o uso do Flash? Quais são os principais desafios quando falamos de métricas de sites em Flash?

Utilizo o GA desde junho de 2007. Naquele ano, ainda não existia esse componente do Google para mensurar os sites em Flash, mas mesmo assim, através de técnicas que o proprio GA ensina em seu site de ajuda, consigo medir praticamente tudo que a ferramenta se propoê a fazer. Desde que você nomeie suas áreas e que você estabeleça os KPI´s, é muito simples mensurar um site desenvolvido em Flash. Tenho todas as análises referentes a visitas ao nosso site  desde 2007, tais como unique visitors, seções mais acessadas, principais páginas de saídas, tempo de permanência no site, conversões através de funil e muito mais… tudo implementado através de uma hierarquia própria de navegação e os eventos que são capturados pelo GA.

Meus sites ainda estão na versão 2.0 da Actionscript e portanto ainda não utilizei o componente gaforflash que é para AS 3.0, mas acredito que hoje não fica devendo muito a esses avanços. Mesmo assim, esse foi mais um mito quebrado pelo próprio Google, ao disponibilizar tal componente, pois muitos diziam que não era possível mensurar os arquivos, e foi importante para a comunidade de desenvolvedores.

Acredito que os maiores desafios quando falamos de métricas web em sites Flash é ainda relacionado com a dificuldade de implantação de técnicas de mensuração, que demanda análise de todo o código e dos eventos mais importantes. O consumo de streaming ainda também é uma incógnita.

9 – Por favor, indicar dois sites que representem bons exemplos no uso combinado do Flash com os preceitos de acessibilidade, de usabilidade e de SEO, justificando sua escolha em três linhas.

Site do Makeup Artist Filippa Smedhagen Sund: http://filippasmedhagensund.com/

Excelente mecanismo de navegação entre as fotografias que proporciona uma experiência inovadora no ano em que foi concebido, carregamento de conteúdo em paralelo, combinado com a utilização da biblioteca SWFAddress para aindexação de conteúdo.

Site da Mercedes AMG Studio: http://www.mercedes-amg.com/

Construído com o Gaia Framework, com ótima acessibilidade, transições entre áreas e um design simples e elegante.Utilza as bibliotecas SWFObject para aparesentar conteúdo alternativo e indexação aliada a SWFAddres.

10 – Quais dicas de leitura você apontaria para o profissional que deseja aprofundar seus conhecimentos sobre estes assuntos (Flash com acessibilidade + usabilidade + SEO)?

Existem muitos blogs que hoje podem ser consideradas as melhores fontes de conhecimento sobre Flash+SEO, tais como: UnderGoogle, SmashingMagazine, The FlashBlog, Google Analitycs Blog, Wa Consulting, mestreSeo, Deconcept, Marketing de Busca, SEOMaster Blog e até mesmo o site da Adobe Live Docs é uma boa fonte.

Recentemente a Adobe lançou o Centro de Tecnologia SEO para Flash no endereço http://www.adobe.com/devnet/seo/ o qual eu também recomendo a leitura.
Na literatura, o assunto SEO ainda é novidade, e com Flash é muito raro mas existe um livro, em inglês que trata especificamente do assunto, o nome é “Search Engine Optimization for Flash: Best practices for using Flash on the web” , disponível na Amazom. Aconselho a quem estiver iniciando no assunto a conhecer o máximo sobre SEO, para depois, saber como, onde e quando aplicar tais conhecimentos em projetos Flash.

posted by fabiano in Flash,Pessoal,SEO and have Comments (2)

2 Responses to “Entrevista revista Webdesign”

  1. Michel Gomes disse:

    Só li os 2 1º pararafos o resto eu li cortado.

  2. fabiano disse:

    clica em ver mais

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